Tessa Moura Lacerda
O Feminismo Afro-Latino-Americano de Lélia Gonzalez
- 52min
- 2 aulas
- Online
Lélia Gonzalez é uma das grandes pensadoras sobre raça e gênero no Brasil, reconhecida por autoras como Angela Davis. Nesta aula, dois aspectos centrais de seu pensamento ganham destaque. O primeiro é a afirmação da voz negra como sujeito histórico: aqueles colocados na “lata de lixo” podem assumir a palavra e romper a posição de objeto ou infans. É desse gesto que surge sua frase marcante: “o lixo vai falar e numa boa”.
O segundo ponto é a noção de amefricanidade, articulada ao conceito de pretuguês, que revela como a língua e a cultura brasileiras são profundamente enegrecidas pela herança africana. Para Lélia, esse traço cultural mostra uma forma própria de resistência, que pode ocorrer tanto pela luta direta quanto pela produção simbólica e pela criação cotidiana.
Apresentação do curso pela professora
- Você aprenderá:
- Como a trajetória intelectual e política de Lélia Gonzalez se articula com a experiência negra no Brasil
- O conceito de infans e a passagem do “objeto” ao “sujeito” na luta política das populações negras
- O significado de “o lixo vai falar” e a crítica de Lélia ao apagamento histórico
- A construção da categoria político-cultural de amefricanidade
- A noção de pretuguês e a ideia de que a língua brasileira é marcada pela herança africana
- Como cultura e resistência se entrelaçam na formação de identidades negras nas Américas
- As bases históricas, políticas e culturais do enegrecimento da cultura brasileira
Aula 1
Lélia Gonzalez: Sujeito Negro, Infans e a Virada do “Lixo que Fala”
Ver topicos
- A infância de Lélia Gonzalez, a experiência de trabalho doméstico e o impacto da ascensão educacional.
- O conceito de infans e a passagem das populações negras de objeto a sujeito político.
- A crítica à posição das pessoas negras como “lixo da história”.
- O sentido político da frase “o lixo vai falar e numa boa”.
- A denúncia da exclusão discursiva que marca o racismo brasileiro.
- A experiência intelectual de Lélia, sua formação filosófica e seus primeiros movimentos de análise crítica da cultura nacional.
Aula 2
Amefricanidade e Pretuguês: Cultura, Resistência e Identidade Negra nas Américas
Ver topicos
- O desenvolvimento do conceito de amefricanidade como chave para compreender as culturas negras nas Américas.
- A noção de pretuguês como língua enegrecida e expressão da vitória cultural negra no Brasil.
- Como elementos africanos moldam práticas linguísticas e culturais brasileiras.
- A resistência negra como processo ativo (quilombos, revoltas) e também simbólico-cultural.
- O papel da cultura como espaço de enfrentamento ao racismo e reconstrução identitária.
- O entendimento da América Latina como espaço de criação cultural híbrida ligada à África.
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Tessa Moura Lacerda, professora de Filosofia na USP, especialista em Filosofia Moderna e estudos sobre feminismo.
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Tessa aplica sua extensa pesquisa acadêmica para analisar as ideias de Angela Davis sobre escravidão e resistência.
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Quem é Tessa Moura Lacerda?
Tessa Moura Lacerda é professora de Filosofia na Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Filosofia Moderna. Sua pesquisa também abrange temas como história, memória e testemunho, especialmente relacionados à ditadura civil-militar brasileira de 1964-85, além de questões de gênero, como feminismos, Transfeminismo e teoria queer. Tessa é autora de livros importantes, incluindo “A política da metafísica. Teoria e prática em Leibniz” e “As paixões,” além de inúmeros artigos focados em Filosofia Moderna e feminismos. Ela é editora da revista “Cadernos espinosanos” e coordenadora do grupo NÓS – Grupo de estudos sobre feminismos da USP.
Além de sua atuação como docente, Tessa é membro da Comissão de Defesa de Direitos Humanos da FFLCH-USP, que atualmente preside, e do Conselho de Inclusão e Pertencimento da USP. Seu trabalho inclui uma análise detalhada do feminismo afro-latino-americano de Lélia Gonzalez, destacando a resistência cultural ao racismo e a enraização da língua africana no português falado no Brasil. A visão aprofundada de Tessa oferece aos alunos uma compreensão única da importância de Lélia Gonzalez no contexto brasileiro e internacional.
Perguntas frequentes
Quanto tempo preciso dedicar por semana?
Você define seu ritmo. Cada curso, em média, têm de 02 a 04 horas, divididos em aulas de 20 a 30 minutos.
Muitos assinantes assistem uma aula por semana e fazem anotações. Outros preferem maratonar um curso inteiro no fim de semana. O importante é que o acesso é ilimitado durante a sua assinatura, você assiste quando e quantas vezes quiser.
Os cursos são muito difíceis? Preciso ter formação acadêmica?
Não. Os cursos foram pensados para quem está fora do ambiente acadêmico formal. A linguagem é acessível, mas sem perder densidade. Se você tem interesse genuíno pelos temas e disposição para pensar com cuidado, os cursos são para você.
Qual a diferença entre o Conepen e uma pós-graduação?
O Conepen não substitui a formação acadêmica formal. Não é uma pós-graduação, não tem orientação de trabalhos e não emite diplomas reconhecidos pelo MEC. O que oferecemos é formação contínua, crítica e aprofundada para quem busca autonomia intelectual, sem as amarras burocráticas e os custos de uma pós-graduação.
A assinatura é vitalícia?
Não. A assinatura é anual, com renovação automática. Enquanto sua assinatura estiver ativa, você tem acesso ilimitado a todo o catálogo. Se cancelar, perde o acesso ao conteúdo.
Posso parcelar o pagamento?
Sim. Você pode optar por pagar sua assinatura à vista ou parcelar em até 12x sem juros. Os juros do parcelamento são absorvidos pelo Conepen.
Como funciona o cancelamento?
Você pode cancelar quando quiser, sem taxa e sem burocracia. Basta acessar sua conta na Hotmart e solicitar o cancelamento. Você mantém acesso até o fim do período já pago.
Os cursos têm certificado?
Sim. Todos os cursos emitem certificado de conclusão, desde que você finalize todas as aulas.
O que é o Instituto Paul Singer?
O Instituto Paul Singer é uma entidade sem fins lucrativos dedicada a preservar, atualizar e difundir o legado intelectual, político e ético de Paul Singer, com foco na democracia, na solidariedade e na justiça social. Inspirado por sua obra e trajetória, o Instituto atua como espaço de reflexão crítica, memória e formação sobre economia solidária, participação democrática e transformação social.
Voltado a pesquisadores, estudantes, educadores, movimentos sociais e a todas as pessoas interessadas em enfrentar as desigualdades estruturais, o Instituto promove debates, cursos, seminários e publicações, além de articular redes entre academia e sociedade civil. Sua missão é fortalecer o pensamento crítico e as práticas coletivas voltadas à construção de uma sociedade mais justa, democrática e solidária, orientada por valores de diálogo, compromisso social e transformação concreta da realidade.
Quem pode ser beneficiado pelas bolsas do plano Multiplicador?
As bolsas serão doadas de forma automática no ato da sua compra para o Instituto Paul Singer, que repassará a bolsa para pessoas de baixa renda que façam parte da instituição.
Existem regras para os bolsistas?
Os bolsistas deverão completar ao menos 25% dos cursos por mês, podendo ser atingido pela soma de 2 cursos diferentes, como 10% de um curso + 15% de outro curso. Caso não consiga, a bolsa será repassada para outra pessoa.
Em quais equipamentos posso ver o meu curso?
Você poderá ver o curso em seu computador, celular ou tablet.
Os cursos do Conepen são indicados apenas para profissionais da área do tema abordado?
Não! Os docentes têm como orientação fazer cursos didáticos para que todos possam entender o conteúdo. Contudo, palavras específicas do jargão acadêmico podem ser utilizadas pelos docentes, mas sem prejuízo do entendimento do tópico.